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Para que precisamos disso?

Pra começo de conversa, eu acabei de excluir meu Orkut. Pra quem não acredita, procura lá por Raôny Menezes. Não tem mais nada. Porque eu fiz isso? Bem eu tenho vários motivos, que em alguns dos próximos textos vocês vão entender melhor. Um deles é que eu quero tirar minha vida um pouquinho da internet. Não é questão de estar pedindo privacidade não. quando eu digo vida, quero dizer contato com algumas pessoas e coisas  inúteis.

Na internet é muito fácil ser badalado, é muito simples ser amado, ser o melhor amigo ou o cara que todo mundo quer conhecer. Mas essa facilidade é tão artificial e mentirosa. Porque ela se dá porque simplesmente você só mostra as pessoas o seu lado bom. Na internet você não convive com ninguém. Não dividi nada com ninguém. Não passa horas conversando, olhando nos olhos de ninguém. Na internet a coisa mais fácil é ajudar os outros achando um link ou ensinando qualquer bobeira sem importância alguma.
Não. Eu ainda não to assim!
Porem na internet ninguém precisa de uma água de coco e protetor solar em um dia quente. Na internet ninguém precisa de um carinho depois de um dia cansativo. Na internet ninguém te pede pra fazer uma mágica com o baralho, pra ensinar a fazer um dever de casa, pra comprar um real daqueles salgadinhos que vendem nas padarias do centro. Na internet você não pisca pra uma amiga que tá triste porque o namorado dela é um imbecil e prefere jogar videogame a abraçar ela. Na internet é muito mais fácil pedir desculpas.

Enfim amigos que estiverem lendo esse texto, escutem esse jovem de dezessete anos: fiquem menos no MSN e mais com suas namoradas, namorados, amigos, família, vizinhos, porteiros, o que seja. E dêem mais importância pra quem se preocupam com você de verdade. Não pra quem se lembra de você porque o Orkut se lembrou do seu aniversário. Tirem as bundas dessas cadeiras e cuidem das pessoas que pegam chuva pra te ver, que te ensinam a assoviar, que dividem o chocolate com você, com o pessoal que te xinga no futebol, com as pessoas que estão do seu lado quando você precisa. Porque mandar um depoimento em rede social é fácil, difícil é sair na chuva só pra  dar um beijo na pessoa que você ama.
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O cara que escreve...

Quer um conselho? Namore um escritor. Não um cara que te manda poesia nem letra dos Beatles ou do Chico Buarque. Namore um cara que escreva ele mesmo com as palavras próprias pra você. Ele vai reparar os pequenos detalhes entre vocês dois, e vai escrever coisas que falam especialmente de vocês dois, não cartas de amor prontas achadas na internet.

Namore um  cara que ao invés de comprar um cartão de dia dos namorados vai escrever um texto lindo pra você. Ele vai te fazer, no mesmo texto, rir, chorar, se emocionar e morrer de vontade de abraçá-lo. Namorar um escritor é namorar um cara que vai ficar orgulhoso de ser comparado ao Veríssimo ou ao Pessoa, e não se comparado com o Fiuk ou o Robert Pattinson.
Escritores tem as melhores pegadas... ou não
Namorar um cara que escreve significa ter um namorado que, ao te descrever em um de seus textos, vai fazer você se achar a própria Megan Fox, e suas amigas, ao lerem, vão achar que ele descreveu alguma princesa de historia infantil. Falando em amigas, namorar um cara assim é matar suas amigas de inveja dos seus textos lindos, das suas cartas fofas e bem humoradas. Namore um escritor e garanta textos românticos pra quando você estiver carente. E cartas surpresas no meio da semana.

Namorando um cara que escreve você não vai entender porque suas amigas  acham bonitas algumas frases copiadas de algum “as cem melhores frases de amor do mundo” ou trechos de algum livro do  Fernando Pessoa.  Então namorar um cara que escreve é namorar um cara que sabe que “namorar um cara que escreve” não é a forma mais correta, e sim “namore um cara que escreva”, mas, mesmo assim, ele prefere o primeiro jeito porque é mais bonitinho.


Ps: essa foi pra você, menina dos brincos saborosos.
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Uma Namorada ou um Labrador?

Quem me conhece e conviveu a algum tempo atrás comigo  sabe que eu fui um cara ciumento, ciumento, politicamente incorreto  e ciumento. Sim “fui” , não sou mais. Mas porque você acreditaria que eu mudei? Basta você saber o que eu passei e vai entender. Certas coisas que acontecem na vida me fazem pensar nas minhas atitudes e sobre a atitude dos outros também.

E um dia desses em uma conversa com uma amiga por MSN, resolvi pergunta se ela tinha Orkut ou facebook .  Então ela  disse :“Não tenho não. Meu namorado mandou apagar”. E ela apagou.
Dá um beijo aqui na sua namorada!
A justificativa dela é que alguns recados de amigos dela estavam provocando ciúmes.  Mas ele é muito burro, porque mesmo que eles não mandem recados para o Orkut, vão ligar, vão conversar pelo MSN, vão se ver pessoalmente etc. ele só não  vai saber. Simples assim. E ela acatou o  desejo dele e apagou , sob a desculpa de que “não vale apena brigar por isso”. Como assim? Não vale apena brigar pela liberdade? Pela individualidade?

Fazer isso  é a mesma coisa de que o lugar onde você trabalha peça para você mudar o nome pra “ Antonio das Casas Bahia”  e você ir lá e mudar. E quando você sair de lá?
Para mim hoje o  argumento “não vale brigar por isso” é totalmente o contrário . não vale a pena namorar com alguém assim, alguém que não quer uma namorada, alguém que quer um labrador treinado que deite, role , sente e dê a patinha.

E hoje eu jamais me envolveria com  alguém desta forma, com o desejo de anular a vida social do seu parceiro, que  pede que você abra a mão da sua individualidade em nome da suposta  confiança e estabilidade no namoro. Isso não é amor. Alias até é, mas é o amor que se sente por um cachorro, mas que tem que deixar bem claro pro  bichinho quem é que manda no pedaço.

Enfim,  quero uma  namorada   ou esposa que  tenha uma opinião, que tenha individualidade, que  brigue comigo  sim quando  tiver ciúmes ou  não aceite quando eu reclamar da maneira mais  escrota dos seus decotes.  Que me deixe puto da vida cheio de ciúmes, mas que  nunca me deixe triste por ter uma pessoa ao meu lado que aceitou anular a própria vida por qualquer motivo  bobo.

É como eu disse lá em cima. Eu quero uma  namorada e não um labrador.
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Acharam o fim da página... Uma salva de palmas para Sherlock Holmes, nosso mais paciente e ilustre leitor!