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Branquela

Eu não consigo entender como uma pessoa consegue me suportar durante tanto tempo. Já faz dois anos e três meses que eu não deixo você dormir em paz, que eu te encho com minhas bobagens, que sempre brigo com você pelos mesmos motivos e que depois de brigar te encho de mensagens e te mando textos enormes pedindo desculpa.

Que fico ansioso para te ver todo dia de manha, que quando vejo meus olhos brilham e minhas mãos começam a soar e sorrio como uma criança quando descubro que você sente exatamente o mesmo ao ver. Que por mim não diria mais nenhuma palavra e ficaria em silencio só te vendo respirar enquanto me olha com seus olhos enormes. E que depois que você vai embora eu fico torcendo para que o dia  passe voando para que eu possa te ver na manha seguinte e repetir tudo isso de um jeito que a cada dia fica melhor.

Já faz dois anos e três meses que eu estou do seu lado e que penso em você quase a todo momento, não estou sendo exagerado, não dessa vez. Que fico pensando na nossa casa, nos nossos filho e na vida longa que teremos daqui a alguns anos. Que escrevo cartas, que componho musicas, que faço textos e bolos só para ganhar o seu sorriso.

Já faz tanto tempo que ouço a mesma frase de você todos os dias, mas que sempre sinto um frio na barriga, um arrepio ou até mesmo meus olhos transbordando. já faz tanto tempo que eu te digo essa mesma frase e que mesmo assim ainda continuo escrevendo isso aqui só para você lembrar. E caso não lembre eu devo lhe dizer que você é a mulher da minha vida e eu te amo muito mais do que eu mesmo imagino. E hoje que estamos completando dois anos e três meses eu queria fazer você sentir aquela vontade louca de largar tudo e me dar o abraço que a dois anos e três meses eu espero. Sentiu?
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Preguiça pré-final de semana

Esse texto foi inspirado em  por uma recente jogo do Facebook junto com a minha preguiça pré-final de semana. Nesse jogo, as pessoas são convidadas a publicar mensagens. “ 17 coisas sobre mim”. Então imaginei que isso daria um texto rápido e que poderia até ser legal. E para não ficar igual a um currículo, não vou falar coisas como  “eu sou lindo” ou “humilde”, nem coisas que eu sei fazer ou já fiz por ai. Só coisas que realmente valham a pena ser citadas.

1 –  Sou preguiçoso só com as coisas úteis. Coisas não produtivas ou que divertem não me cansam, e poderiam me deixar ocupado durante dias. Mas ler um texto por obrigação ou ter que escrever algo para um trabalho de escola, por exemplo, são coisas que eu  faço questão de adiar até o ultimo minuto.

2 – Não sou um  cara mau, nem muito menos bom. Sou justo.

3 – Pouca coisa me irrita de verdade. Na verdade só uma, a hipocrisia. Odeio gente que fala mal de uma pessoa e está lá se abraçando com a mesma.

4 – Odeio gente que se acha intelectual ou mais inteligente do que eu.

5 – Não gosto de entristecer quem não merece, mas sinto um prazer imenso em  machucar quem merece.

6 – Odeio críticas sem embasamento.

7 – Odeio criticas com embasamento.

8 – Apesar de ser muito jovem ainda, fiz algumas coisas que  vou guardar para contar para meus filhos e netos. Algumas eu tive que contar para uma psicóloga. E outras eu tive que explicar para a policia.

Tem coisa mais divina?
9 – Adoro churros.

10 – Não fumo mas bebo.

11 – Sou preconceituoso com gente ignorante. Corintianos. Alguns evangélicos e crianças melequentas.

12 – Quase ninguém tem 17 coisas boas e interessantes para falar de si mesmo.

13 – Sou cabeça-dura, mas odeio gente assim.

14 – Não gosto de cachorros, só de alguns. E o meu não está nessa lista.

15 – Leio meus e-mails a cada quinze minutos.

16 – Nunca aprendi a jogar futebol e não sinto vontade de aprender.

17 – Acabei de perceber que não tenho 17 coisas boas e interessantes sobre mim. Vou tentar mudar isso agora.
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Um dia daqueles

Hoje pra mim é um daqueles dias que  aposto que todos já tiveram : você já acorda de manha torcendo pra já terem passado dez anos enquanto você dormia. O dia que sua única vontade é sumir, ir para uma ilha isolada no meio do pacífico. E lá viver na ilusão de que todo mundo ta sentindo sua falta, ou  de que só vão sentir sua falta quando tiver uma pilha enorme do jornal que você assina na porta de casa. E ainda assim só vão lembrar porque alguém quer saber se você ainda vai querer os jornais.

É difícil. Parece até uma conspiração ou algo do tipo. Sua namorada te larga, o cachorro do vizinho te morde, você tira nota baixa na prova e ainda tá mais duro que bunda de estátua. E pra completar a merda, parece que todas as pessoas ao seu redor estão vivendo os melhores dias de suas vidas. Enquanto isso você pisa na merda, da uma topada com o dedinho na mesinha de centro e parece que todas as mulheres do mundo combinaram de não querer olhar pra sua cara. Até criança no colo da mãe chora quando você passa perto. Definitivamente, não é o seu dia.
Nem adianta chorar mano
E pior que não há nada a fazer. Não adianta chorar, espernear nem chamar a sua mãe. Não importa o que você faça, as canetas vão estourar no seu bolso da mesma maneira, o seu celular vai cair na privada do mesmo jeito e a menina que você gosta não vai deixar de sair com aquele cara que você odeia. E pior é que se você contar pra alguém, o infeliz vai dizer: “Nossa, como você é pessimista” ou “Ai, isso é mania de perseguição”. Esse tipo de coisa que você também falaria para algum paranóico que viesse reclamar da vida pra você. Só que dessa vez você é o paranóico.

Você não consegue sequer pensar em um bom texto pra escrever no seu blog com nome estranho. E quando você resolve escrever um texto você para no meio e fica olhando pra tela do computador com cara de idiota e resolve jogar paciência. A única vontade que você tem, alem de largar tudo e vender geladinho em Gana, é dormir. Mas nem isso você consegue. Nem o sono se lembra de você. Mas outro dia, você vai se lembrar disso tudo. E vai pensar que era besteira, e vai até se arrepender de ter desabafado com alguém. Que isso é frescura,  coisa de pessoa com mania de  perseguição. E nada mais.
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A Vida Alheia

Estava dentro de um transporte coletivo, daqueles onde vocês ficam apertados na porta e sempre tem um individuo tocando com um celular ouvindo aquela musica que você mais odeia.

O carro não estava cheio ainda quando passou por um ponto de ônibus e entrou um casal eufórico, se agarrando e se beijando como se o mundo fosse acabar em alguns minutos. Eles se agarraram tanto que até agora eu tenho a quase certeza de que a perna que a mulher passou a mão duas vezes era a minha, e não dele.  Então o celular da moça toca. Ela olha o numero com cara de preocupada, faz um sinal para que o rapaz faça silencio e atende com uma voz suave:

“Ooii, amor...”

Todos dentro do carro se olharam, sem entender nada, ou melhor, entendendo tudo.

“Eu? Eu estou indo pra casa da Julia. Como “que Julia”, amor? A Julia do trabalho. Vou dormir lá, mas amanha cedinho eu passo na sua casa, tá?! To morrendo de saudade.”
Como ela pode!...
A essa altura o rapaz que acompanhava a moça parecia um tomate de tão vermelho. Ficou um clima de constrangimento danado no ar. Eles até pararam de se agarrar. De repente, outro celular toca. É o celular de um rapaz arrumado sentado na minha frente. Ele olha quem é, se ajeita no banco como quem diz “olhem e aprendam”, e atende:

“Oi, linda. Claro, tudo ótimo”

As pessoas se olhavam mais aliviadas. Até que em fim uma pessoa normal...

“Estou indo pra casa. Sim, sim. O que? Como não? Sei, sei.”

Ele baixa a cabeça e fica falando baixinho, tentando esconder o que diz, e continua:

“Vai dormir na casa da Paula, da faculdade? Ta bom. Também te amo. Não é nada não. Está tudo bem sim. Beijo, Xau.”

Ele desliga o celular, passa a mão no cabelo e dá um leve suspiro, como um condenado que caminha para a forca. O casal se olhou, segurando o riso. Olhares surpresos tomaram conta de todo o lugar. O único que não demonstrava  nenhuma reação era eu. Eu estava ocupado demais pensando como iria transformar aquela historia em texto.
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... . ...

Acharam o fim da página... Uma salva de palmas para Sherlock Holmes, nosso mais paciente e ilustre leitor!